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domingo, 6 de junho de 2010


"Eu sou capaz de perdoar e aceitar ela de volta, depois de tudo que fiz ela sofrer”, declarou nesta segunda, 29, o professor de educação física Adalberto França Araújo Filho, horas depois de ser apresentado pelos advogados e preso na Delegacia de Simões Filho, em cumprimento a um mandado de prisão temporária pela tentativa de homicídio praticado contra a assistente social Luciana Lopo.
A vítima recebeu dois tiros, teve as costas queimadas com leite quente, os pulsos quebrados, foi esfaqueada e teve os dedos profundamente cortados pelo agressor para que confessasse supostas traições, numa sessão de tortura que durou mais de quatro horas na casa onde moravam, em Villas do Atlântico.
Apresentado na Secretaria da Segurança Pública (SSP), na Piedade, Adalberto França admitiu as diversas agressões, mas disse não se recordar com detalhes o que fez. Inicialmente protestando por estar sendo filmado e fotografado, narrou em seguida com riqueza de detalhes como o relacionamento com a vítima descambou na tentativa de homicídio. Acusou Luciana Lopo de ficar olhando de forma indevida para alguns homens e de ficar “copiando os caras”.
Segundo o acusado, durante as agressões, ela teria confessado casos com vários homens, principalmente com “inimigos” dele. Indagado se a confissão não ocorreu devido às ameaças e às agressões, ele disse: “Não acredito que uma pessoa com uma arma carregada apontada para a cara vá mentir. Eu disse para ela que não ia atirar se ela dissesse a verdade e não atirei. Acho que atirei para o chão”. Ele disse “não se lembrar” como os tiros atingiram a assistente social. O inquérito será presidido pela delegada Jamila Cidade (Vila de Abrantes), e o preso é acusado de tentativa de homicídio segundo a Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das punições das agressões contra a mulher no âmbito doméstico.
Contradições – Adalberto França se disse arrependido das agressões e declarou que Luciana Lopo é uma esposa perfeita, mas ele se desesperou depois que não conseguiu confirmar suas suspeitas de traição, bebeu o dia todo antes da agressão e alegou que “teve um surto”.
A polícia técnica esteve nesta segunda no Hospital Espanhol, após Luciana Lopo ter alta da Unidade de Terapia Intensiva, para realizar o exame de corpo de delito. Segundo a irmã da vítima, Andrea Brasileiro, Luciana ainda não foi informada da prisão do marido. “Ela ainda está muito traumatizada. Por isso, achamos melhor não dizer nada por enquanto. Penso que o melhor é que ela se recupere”, salientou.
Os pais da assistente social ficaram abalados com a prisão e foram medicados. Segundo a irmã da vítima: “Queremos agora que não haja brechas nas leis e que ele fique preso. Adalberto precisa pagar pelo que fez, pela dor que minha irmã e minha família estão sentido”.
FONTE: JORNAL A TARDE

Lutador que torturou mulher vai a júri popular

O juiz titular da comarca de Lauro de Freitas, Waldir Viana, deu parecer favorável à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado (MP-BA) contra o professor e lutador de jiu jitsu Adalberto França Filho, 39 anos. Ele aprovou júri popular para Adalberto, que é acusado de agredir e torturar brutalmente a mulher, a assistente social Luciana Lopo, 31. A decisão foi tomada em audiência de instrução ocorrida nesta quarta, 12. O crime foi classificado como tentativa de homicídio qualificado com tortura. O lutador deverá continuar preso na Polinter, na Piedade, conforme decisão judicial, que também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.
Nesta quarta, apenas seis testemunhas de acusação prestaram depoimento perante o juiz, além da vítima e do acusado. Segundo o advogado de Adalberto, Fabiano Pimentel (que assumiu o caso ontem – a família desistiu do defensor anterior), os oficiais de justiça não encontraram as testemunhas porque os endereços fornecidos estavam incompletos. O requerimento de instauração de incidente de sanidade mental, recurso pedido pela defesa a fim de apurar eventual falta de culpabilidade do réu, também foi negado pelo juiz, que entendeu não haver nos autos elementos que indiquem a possibilidade de ele ser portador de doenças mentais. Pimentel informou que a defesa vai recorrer pela soltura do réu e pedir a anulação do processo no intuito de produzir provas. “Queremos que ele [Adalberto] seja submetido a tratamento psicológico adequado. Prisão não vai resolver o problema dele. Na minha opinião, o processo é nulo porque as testemunhas de defesa não foram ouvidas”, declarou o advogado.
De acordo com Pimentel, Adalberto toma medicamentos controlados desde os 10 anos de idade e tem lapsos de perda de memória constantemente. “Ele disse que só começou a lembrar do que havia acontecido dez dias depois”, completou.
AUDIÊNCIA – Entre as testemunhas de acusação que prestaram depoimento estava a empregada do agressor, Maria Santana da Silva, que disse ter sido obrigada a ajudar na tortura e presenciado os disparos de rifle feitos por Adalberto na perna de Luciana.
No seu depoimento, Adalberto negou as acusações, descrevendo como teria acontecido o fato. “Segundo ele (Adalberto), Luciana teria caído por cima de uma mesa de vidro, o que teria ocasionado os cortes, a arma disparou por acidente e que o leite e o café que queimaram a vítima teriam caído em cima dela quando ela foi abraçá-lo”, contou o advogado de acusação, Antônio Marcos Rodrigues.
O advogado de Luciana disse ainda que ela relatou, com detalhes, o que aconteceu durante as quatro horas que permaneceu em sua casa, em Vilas do Atlântico, sendo torturada e agredida pelo marido. Ela descreveu, também, seu comportamento ciumento e possessivo.Luciana e Adalberto chegaram a ficar na mesma sala de espera, mas não se viram. Os depoimentos foram feitos separadamente. O acusado chegou ao local algemado, escoltado por policiais civis e acompanhado dos advogados de defesa.
A mãe da vítima, Maria das Graças Lopo, disse que a filha estava “bastante nervosa e chegou a chorar bastante”.
“Isso a faz lembrar daquela situação horrível. Ela ainda não está preparada para falar sobre isso”, justificou Roberto Lopo, pai da vítima, o fato de ela se recusar a dar entrevistas. Os pais da assistente social falaram que ela está sendo acompanhada por psicólogo e ortopedista e que Luciana só voltará ao trabalho em janeiro do próximo ano.
O pai de Luciana contou que os familiares de Adalberto pediram perdão pelo ocorrido. “A família também se diz vítima dele e condenou a atitude”, disse Lopo.
A mãe do acusado estava no local e abraçou o filho por alguns instantes, mas preferiu não falar com a imprensa.
CASO – Adalberto Filho foi preso em 29 de junho, quatro dias após agredir a mulher, com quem tinha um relacionamento de três anos. Luciana levou dois tiros, teve queimaduras feitas com café e leite quente, os dedos cortados, os pulsos quebrados e cortes por todo o corpo.
FONTE: JORNAL A TARDE

Tipos de violência doméstica

quinta-feira, 13 de maio de 2010
A Lei Maria da Penha estipula quatro tipos de violência doméstica, são elas: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

» Mulheres sofrem caladas com agressões como Catarina

Violência física: é qualquer ato contra a integridade ou saúde corporal da vítima.

Violência psicológica: é qualquer ação que cause prejuízo psicológico, como humilhação, chantagem, insulto, isolamento, ridicularização. São também considerados dano emocional e controle de comportamento da mulher.

Violência sexual: é aquela que força a mulher presenciar, manter ou participar de relação sexual indesejada. Impedir o uso de método contraceptivo ou forçá-la à gravidez, aborto ou prostituição mediante força ou ameaça, também se enquadram neste tipo.

Violência patrimonial: São situações quando o agressor destrói bens, documentos pessoais e instrumentos de trabalho.

Violência moral: Caluniar, difamar ou cometer injúria contra a mulher.